A nova Julinha

0

 

Depois de pouco mais dois anos de tratamento contra o câncer, a pequena caçapavana, Julia Pereira de Paula, 8 anos, já está retomando todas as suas atividades. A mãe, Deise, conta que ainda restam nove meses de tratamento, mas como o quadro da menina vem estabilizando, a equipe médica já tem liberou ela para ir para a escola, conviver e brincar com outras crianças.

Com 5 anos, Julia foi diagnosticada com  leucemia. A mãe, conta que no dia 4 de setembro de 2015 foi o dia em que receberam a notícia. “Ficamos sem chão”. Antes desta data, Deise lembra que havia levado a filha no médico, onde foram solicitados exames de rotina. Ao apresentar os resultados para o médico, foi constatado que os triglicerídeos de Júlia estavam elevados. “Começamos a cuidar da alimentação, fazer exercícios e dentro de um mês retornamos ao médico e para a nossa surpresa, mesmo cuidando, os triglicerídeos subiram mais ainda, e foi constatado um pouco de anemia também”, recorda.

Com o passar do tempo, Deise foi notando que a filha foi piorando, quando brincava, cansava logo, sentia dor nas pernas quando caminhava. “Qualquer batidinha ou tombo, ela ficava com hematomas enormes. Retornamos ao médico, que solicitou um exame de sangue com urgência, que fizemos e tivemos o diagnóstico no mesmo dia”. Quando o pai de Júlia, Juliano foi buscar o exame, ele já havia percebido que a notícia não era boa. Levaram o exame para o médico, que estava aguardando a família. Ao interpretar o hemograma, ele informou aos pais de Júlia que havia uma suspeita de leucemia. “Caiu o mundo da gente, o médico conversou bastante conosco, nos orientou e solicitou que a Júlia fosse internada imediatamente”, lembra a mãe.

O médico informou que a Júlia poderia ser atendia em Santa Maria ou em Porto Alegre, que era necessário a família optar pelo local para que ele já solicitasse um leito. “Foi a viagem mais longa que fizemos do centro até a nossa casa. Chegamos em casa e começamos a arrumar as malas para irmos para Santa Maria, dar início ao tratamento da Júlia”.

Ao chegar ao Hospital Universitário de Santa Maria, Júlia passou por uma bateria de exames, ficou internada por 42 dias fazendo quimioterapia. Durante o tratamento a menina teve uma tiflite, que tira a proteção do intestino. A mãe conta que a filha ficou inchada e tinha risco de ocorrer uma hemorragia interna. “Ela ficou 15 dias praticamente só no soro”. No dia 7 de outubro de 2015, quando Júlia fez aniversário, o cabelo que já estava caindo bastante, começou a cair mais. Depois do aniversário, no dia 8, a menina aceitou cortar o cabelo.

Agora, Julia já pode frequentar a escola. “A equipe do Januária tem sido ótima, além do material da aula, a Julia tem feito reforços, até mesmo para recuperar o tempo que precisou ficar fora da escola e ela sentiu muita falta quando foi preciso parar de frequentar as aulas”.

“A escola está muito legal, tenho muitos amigos. No final do ano nossa turma vai lançar um livro”, disse Julia. Hoje, além da escola, Julia faz fisioterapia e pilates, além de um acompanhamento nutricional. O tratamento continua, uma vez por semana, é preciso ir ao Hospital Universitário de Santa Maria para fazer as sessões de quimioterapia e manter os exames em dia.

Deise lembra que durante o tratamento mais intenso de Julia, várias pessoas entraram em contato para ajudar e também para tirar dúvidas. “Foi realizado um bingo, um chá e também um Veloterra em benefício da Julia. O ser humano sabe ser bom, conheci pessoas que nunca vi, querendo nos ajudar, e foi de extrema importância esta ajuda”, comentou Deise destacando que Julia não recebe nenhum tipo de benefício do governo, o processo está na justiça e o tratamento no HUSM não tem custo.

Julinha conta que gosta de jogar bola e passear. “Fomos no zoológico com a escola, até me assustei com o leão e o tigre. Também fomos no planetário, foi muito legal ver os planetas”.

Ao ver a filha retomando as atividades rotineiras e recuperando dia a dia a saúde, a mãe comemora. “Parece que saiu um peso da gente. É muito bom ver ela melhorar a cada dia”.

 

 

Por Carol Petrin – MTE 17.708/RS

Deixe seu comentario

Comentários desativados.