Estrada da Cascata: depois de um ano, apenas o mato cresceu

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Há um ano, a reportagem do Jornal do Pampa esteve na Cascata do Salso, ponto turístico de difícil acesso em Caçapava do Sul. Na última semana, a equipe retornou ao local a fim de constatar se houve alguma mudança, além do acúmulo de mato e sujeira.

A Cascata do Salso, é um ponto turístico bastante prestigiado pela população, de difícil acesso, mesmo estando a cerca de 8km do centro da cidade. Ao final do trajeto, a paisagem encanta: uma queda d’água de mais de 20 metros, que já serviu de área de lazer para muitas famílias e grupos de amigos.

Para chegar até a Cascata, se o sinal de internet, ou do GPS estiver funcionando, fica simples, pois no trajeto não há uma placa de sinalização, nem que indique o caminho, tampouco que aponte a quilometragem para chegar. De acordo com o Secretário Adjunto de Planejamento e Meio Ambiente, Nilvo Torres Doreneles, conforme contrato firmado pela administração anterior entre empresa a Empresa Creral e Administrativo, e conforme exigências de contrapartida da própria FEPAM às empresas, há um projeto de criação de parque que contempla a implantação da hidrelétrica, bem como, também, de recuperação de acesso ao local.

Depois de um ano, a estrada permanece da mesma forma. Os primeiros cinco quilômetros do percurso, até o Cemitério da Estrada da Aviação estão em boas condições. É no trecho final, nos últimos três quilômetros que as condições da estrada pioram devido aos buracos. Em alguns locais a erosão toma conta o que torna impossível chegar de carro até o ponto turístico. Até mesmo para quem busca uma aventura a pé o local é perigoso, pois há uma cratera com mais de dois metros de profundidade, exigindo atenção de quem se arrisca a fazer a “trilha”. Há um ano foi preciso fazer os últimos 800 metros à pé, devido as péssimas condições de tráfego. Neste ano, o trajeto foi feito da mesma forma.

Sobre a estrada, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que a Secretaria de Obras realizou patrolamento e encascalhamento da estrada que liga o bairro ao interior, sentido à Cascata do Salso neste ano. “Nós estivemos na localidade e fizemos serviços pontuais de recuperação da estrada. Porém, no trecho que liga a estrada diretamente à cascata, em torno de 1,5km de estrada, nós não temos maquinário para a reconstrução dela, conforme informa a própria reportagem (“trajeto final”). Precisaríamos, por exemplo, de no mínimo uma escavadeira hidráulica, pois trata-se de uma obra bem mais complexa, não se trata de patrolamento comum devido aos “canions formados” ao longos de mais de 10 anos advindos de gestões anteriores.”, relatou o secretário, Paulo Henriques.

Até cerca de 1km antes de chegar na Cascata há residências e muitos moradores relataram as dificuldades para chegar e sair de suas casas. Por este motivo, há um ano, o vereador Marquinho Vivian (PMDB), foi até lá conferir a situação e ouvir as reivindicações de quem necessita passar pelo local diariamente. Na época, ele relatou que a situação se agrava nos dias de chuva. “É preciso muitos reparos, não apenas para a valorização turística, mas também para quem mora nas proximidades possa chegar nas suas casas e quem vai visitar a Cascata do Salso tenha as mínimas condições de tráfego”. Um ano depois, o vereador também retornou ao local. “Apenas o mato cresceu. A estrada continua péssima. O ponto turístico merece uma atenção especial da administração, para que os turistas e também os moradores de Caçapava possam usufruir do local”.

Na última semana, Franciele Baltezan esteve na Cascata do Salso com um grupo de amigos, que afirmaram que nos dias mais quentes começam a frequentar o local. Ela comenta que para conseguir chegar na Cascata, precisou ir até o Passo do Moinho, pois a estrada que dá acesso a Cascata está intrafegável. “Nós viemos atalhando, eu até caí no caminho. Não tem como descer até a Cascata de carro. Mas depois que a gente chega aqui, compensa”.

Em janeiro de 2015, a Cooperativa Regional de Eletrificação Rural do Alto Uruguai (Creral) foi a empresa vencedora da licitação para instalar uma Usina Hidrelétrica em Caçapava do Sul, reativando a usina na Cascata do Salso. Na época foi divulgado que a obra teria o prazo de um ano e meio para conclusão, a partir da emissão da licença ambiental e que estudos estavam sendo feitos na cascata para definir o valor do investimento e o número de vagas que poderiam ser criadas. Foi noticiado pela imprensa da prefeitura que Creral irá explorar o local por 30 anos e que a unidade teria capacidade para geração de 500 kilowatts por hora, para o município, ficaria o valor do ICMS referente à venda da energia. “Além da instalação da usina, a empresa terá de revitalizar o local para visitação turística”, conforme nota da assessoria de imprensa da prefeitura, na época.

Há um ano, a reportagem conversou por telefone com o engenheiro da Creral, que informou que o projeto estava em fase de licenciamento ambiental junto à FEPAM. Na época ele falou ainda que este processo além de demorado, não tem previsão.  Depois de um ano, o assessor de comunicação da Creral, Sergio Miotto, afirmou que o projeto permanece na mesma fase. “Continua em espera na FEPAM e sem esta licença não podemos começar”, afirmou. O secretário adjunto de Planejamento e Meio Ambiente, também confirmou a fase que se encontra  o projeto, que é de Análise Ambiental na FEPAM, para liberação da Licença Ambiental.

Há um ano, a reportagem tentou contato com a FEPAM, que não retornou. Depois de um ano, foi novamente tentado o contato, tanto por telefone, como por e-mail, porém, novamente não houve retorno até o fechamento desta edição.

A Secretaria de Obras informou ainda, conforme intenção do próprio governo de dar mais atenção às estradas do município e de divulgar o potencial turístico, estuda um mutirão de reconstrução da estrada da cascata, em parceria com empresas de calcário, que têm este maquinário deficiente no município. Após a recuperação do local, sim, deveremos iniciar o trabalho de sinalização do local que, conforme constatado, não há acesso de veículos para tal.

 

Por Carol Petrin – MTE 17.708/RS

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